30 anos de correspondência e amizade ininterruptas. Estou profundamente emocionada e triste. Não é apenas Varginha que perde um intelectual ilustre, mas o jornalismo literário brasileiro, exercido por Zanoto com muito amor, carinho, criatividade e integridade.
Linkagem do meu envolvimento com coisas, animais e pessoas ao imenso frame hipertextual do mundo.
quinta-feira, 3 de março de 2011
O JORNALISMO LITERÁRIO ESTÁ DE LUTO: MORRE ZANOTO
30 anos de correspondência e amizade ininterruptas. Estou profundamente emocionada e triste. Não é apenas Varginha que perde um intelectual ilustre, mas o jornalismo literário brasileiro, exercido por Zanoto com muito amor, carinho, criatividade e integridade.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Uma casa no campo...
Sabe aquela música “Eu quero uma
casa no campo”, do Zé Rodrix e do Tavito? Pois eu nunca quis. Sempre fui
agitadamente urbana, e vir para Maricá, há doze anos, não foi opção, foi
solução (que eu supus temporária) para nossa complicada situação financeira: sair
de aluguel, condomínio, gastar menos, na época. Viemos para cá por questão de
sobrevivência, apenas. Nunca pensei em morar no interior, em ter porco, cavalo,
galinha, peru, marreco, porquinho da índia, coelho, ovelha e cabra, bromélias,
cactos, gás de bujão e água de poço. Gostava do cheiro de gasolina e da vida
agitada a mil por hora. Aqui, a quietude impera: a ruazinha não-pavimentada também é pouco movimentada:
nem carteiro passa. O “êxodo” rural
ainda coincidiu com uma série de rompimentos emocionais, o que dificultou e
tornou mais lenta a minha adaptação.
O começo abrupto desta nova fase foi terrível, pois era uma casa que, de habitável, só tinha a sala, e assim mesmo sob um telhado que parecia ter dificuldades em se manter no lugar; havia apenas a estrutura arquitetônica, muita pedra, e o chão era de terra batida. Também não havia árvores, e o fornecimento de energia elétrica ainda era bem mais precário que hoje... Um desafio e tanto. A primeira vez que entrei na construção inacabada, vi sair um monte de morcegos de um cômodo: era ao mesmo tempo aterrorizante e fascinante: eles voavam em “xis”, como se fossem os raios lasers que vemos em filmes de assalto a bancos, nos cinemas... Foram tempos difíceis que exorcizei fazendo um livro artesanal, praticamente inédito, chamado: “Sob o céu de Maricá”, em que falava principalmente de moscas e outros insetos não-identificados. A única distração destes primeiros tempos era eu, Urhacy e Mônica nos reunirmos em torno das fogueiras que fazíamos diariamente. Esses eram momentos verdadeiramente mágicos.
Maricá não é tão longe assim do
Cunha Melo termina este seu belo poema,
dizendo: “Nada será fácil: as escadas / não serão o fim da viagem: / mas darão
o duro direito / de, subindo-as, permanecermos”. Sim: é justo esta
sensação de permanência que me habita. Hoje, amo este lugar e, apesar dos
inúmeros problemas relacionados principalmente com uma péssima infraestrutura
local, não gostaria de morar mais na capital, por vários motivos. Entre eles,
cito alguns: lá não tem esse ar puro, este verde nos rodeando por todos os
lados, este espaço amplo para conviver com animais, estas noites
estreladíssimas, esta lua absurdamente linda, esta adorável piscininha,
esse orquidário, essa natureza exuberante, estes pirilampos, estas borboletas
coloridas, este paraíso terrestre sempre ao alcance do embalo de nossa rede...
A mudança para o “sertão” detonou
transformações bastante radicais em meus valores, em minhas perspectivas e até
em meu modo de encarar problemas, porque antes eu vivia sem noção de certas estruturas; agora que eu sei como se ergue uma parede, para que serve a
argamassa, de quê é feita uma pilastra, sei também como podemos ficar
verdadeiramente alegres vendo a primeira torneira da casa funcionar, jorrando
água. Simples assim. Viver aqui me fez valorizar a vida a partir de cada gesto
e de cada objeto que antes eu só notava quando me utilizava dele. Deixei de
prestar atenção às funções das coisas para perceber melhor a substância das
quais elas são feitas. E os amigos que servem-se de uma para nos visitarem. Realmente, uma grande transformação, ocorrida de dentro
para fora. Com isto, não só a casa foi erguida a partir do zero,
Leila Míccolis
domingo, 23 de janeiro de 2011
Surfando o estresse...
Há algum tempo, uma artista famosa
declarou que, ao fazer seu check-up anual, "descobrira" através de
seu médico que estava com estresse... Que me desculpe a beldade, mas não era
então um estresse tão grande assim. Devia ser um estressinho de nada, já que, o
de derrubar-quarteirões, a gente diagnostica por conta própria; e, já que este
esgotamento (físico e/ou emocional) provoca um considerável aumento de
adrenalina, resolvi fazer, neste verão, um minitutorial, baseado em meu
autoaprendizado, para surfar o estresse, no intuito de tentar evitar sermos ou
derrubados por “caixotes”, ou bebermos muita água salgada, ou entrarmos no
redemoinho das ondas gigantes.
Primeiro sinal (ou sintoma): começa-se a
perceber o cansaço a partir dos inocentes barulhos diários, que de repente
aumentam de volume, irritando o pavilhão auricular. O liquidificador, então,
enlouquece, e as vozes humanas agridem. Tenta-se fugir deles, mas sempre esbarramos
com a televisão, com o latido do cão do vizinho, com o martelo, com o ranger da
porta empenada da sala.
A luz também passa a incomodar. Como os
gatos, você fecha os olhos para diminuir a claridade, e fica-se contanto os
minutos para chegar a noite, porque ela parece mais amena, serena e silenciosa,
certo? Errado. Quando você se deita, a insônia dialoga com você o tempo todo, e
é realmente inacreditável
O bom-humor tende a hibernar, até porque
ser “alegrinho” nos tempos atuais é desprender enormes somas... de energias.
Você começa a não querer encarar perguntas difíceis, embora a toda hora formule
questões complexas, do tipo: por quê toda rosquinha tem um buraco no meio? Por
quê ainda não inventaram uma rede com controle remoto? Naturalmente não convém
tumultuar muito o cérebro tentando achar as respostas; e procure também não
pensar obre a morte da bezerra, porque, neste caso, além de estressado, você pode
ficar deprimido. Mude o foco rápido, antes que seja tarde demais.
Exaurido, você pensa em largar tudo e
viajar, para não fazer nada; mas, ao mesmo tempo, trabalha cada vez mais, até
para poder arcar (algum dia) com a realização do seu sonho de viagem...
Na hipótese de você ser um estressado
agressivo, cuja reação é a de brigar com a própria sombra, cuidado: é bom não
descontar nos pratos ou enfeites da casa, pois, passada a crise aguda, você vai
é ter uma recaída por conta (literalmente) dos prejuízos. O melhor é respirar e
contar até 10. Se estiver muito fatigado, tente ir até 5 (porém menos de 3 nem
vale a pena iniciar a contagem).
Outro sinal evidente de esgotamento é
quando o estressado passa a arranjar as desculpas mais mirabolantes para não
sair de casa, mesmo que elas soem absurdamente falsas; não importa, qualquer
coisa é melhor do que a ameaça de movimentar-se em direção à rua. Você resiste
a ir à
Caso fique em casa, numa boa, se o
estressado em questão é dado à literatura, aproveitará os erros de digitação,
as trocas de letras das palavras, fato comuníssimo nas épocas de maior fadiga,
e as transformará, posteriormente, em textos cheios de “sacadas geniais”... É o
lado criativo do estresse.
O estressado não quer papo, não tem a
menor vontade de conversar; aliás, como já disse de início, as vozes humanas de
repente lhe soam estranhas, e é comum ele flagrar-se olhando para a boca do seu
interlocutor, como se assistisse à mímica de um playback.
O estressado sente-se febril por dentro e
gelado por fora, exatamente o contrário do que deve se sentir um sorvete, com
calda quente por cima. Talvez por isso, meio-termo é coisa que ele desconhece.
É drástico, sem meias-medidas. Com ele, é tudo ou nada. Ou 8 ou 80. Ou dá ou
desce. Nada de nem tanto ao mar nem tanto à terra. Está muito mais para
"não vem que não tem" do que para "conversando é que a gente se
entende". Este seu modo brusco pode confundir as pessoas, mas é melhor não
explicar-se na hora, porque pode acontecer da emenda ser pior do que o soneto –
Por fim, um dos sintomas mais
característicos do estressado é a divagação, a mente passeia, viaja, vai longe.
Às vezes, a desconcentração é tão grande, que de repente o indivíduo flagra-se
mexendo no mouse, movimentando-o na tela para baixo e para cima, de lá para cá,
perguntando-se o que estava fazendo ali, diante do computador. Calma, nada de
pânico: mesmo que demore um pouquinho, aos poucos a memória
Eu não sei se este minitutorial pode
ajudar alguém a se equilibrar em cima de uma prancha (ou melhor seria dizer
tábua de salvação?)
Leila Míccolis
domingo, 9 de janeiro de 2011
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
O QUE HAVERÁ DE NOVO EM 2011?
terça-feira, 9 de novembro de 2010
POESIA COMENTADA
Acontece que estou com saudades de fazer postagens nesta seção (desde fevereiro sem nada ser acrescentado) e dá-se, também, que amanhã, 10 de novembro, falecia em 1972, no Rio, o poeta piauiense Torquato Neto. Unindo ambas as vontades, transcrevo, homenageando-o, uma das letras que mais me impressionaram no disco Tropicália, de Caetano. Só conhecia interpretado por ele; hoje, porém, procurando na Internet, ouvi-a por Nara Leão (vejo que Clementina de Jesus também gravou esta composição), e achei o arranjo musical muito sugestivo, além da própria Nara — uma atração à parte. Quem quiser ouvi-la, clique em: http://letras.terra.com.br/nara-leao/331159/
-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-
DEUS VOS SALVE ESTA CASA SANTA
Torquato Neto e Caetano Veloso
Um bom menino perdeu-se um dia
Entre a cozinha e o corredor
O pai deu ordem a toda família
Que o procurasse e ninguém achou
A mãe deu ordem a toda polícia
Que o perseguisse e ninguém achou
Ó deus vos salve esta casa santa
Onde a gente janta com nossos pais
Ó deus vos salve essa mesa farta
Feijão verdura ternura e paz
No apartamento vizinho ao meu
Que fica em frente ao elevador
Mora uma gente que não se entende
Que não entende o que se passou
Maria amélia, filha da casa,
Passou da idade e não se casou
Ó deus vos salve esta casa santa
Onde a gente janta com nossos pais
Ó deus vos salve essa mesa farta
Feijão verdura ternura e paz
Um trem de ferro sobre o colchão
A porta aberta pra escuridão
A luz mortiça ilumina a mesa
E a brasa acesa queima o porão
Os pais conversam na sala e a moça
Olha em silêncio pro seu irmão
Ó deus vos salve esta casa santa
Onde a gente janta com nossos pais
Ó deus vos salve essa mesa farta
Feijão verdura ternura e paz
domingo, 12 de setembro de 2010
PRÊMIO BLOG DE OURO
- Dúvidas, incertezas e divagações... - http://urha.blogspot.com
- O Imaginário - http://poemasdemarciasanchezluz.blogspot.com
- Pedro Zeballos - http://pedrozeballos.blogspot.com
- Polimorfo Sintético - http://monicabanderas.blogspot.com
- Rogel Samuel - http://literaturarogelsamuel.blogspot.com
- Tarot Luminar - http://tarotluminar.blogspot.com
- Tempo In-verso - http://tempoinverso.blogspot.com
- Travessia poética - http://travessiapoetica.blogspot.com
quarta-feira, 14 de julho de 2010
DIVAGANDO EM UMA QUARTA-FEIRA (DE) CINZA...
domingo, 27 de junho de 2010
"Presença literária 2010"
No Yubliss, minha coluna desta quinzena é sobre fogueiras — vocês já repararam como cada vez mais estamos escrevendo menos sobre temas juninos? O texto chama-se "Colocando mais lenha". Se quiser pular esta fogueira comigo venha, comente, e não deixe de assinar seu nome.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Esperando (literalmente) sentado
http://www.yubliss.com/blog/5993/post/7405
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Depois da tempestade virá mesmo a bonança?
Sobre as chuvas que fustigaram a cidade esta semana, me leiam no Yubliss:
http://www.yubliss.com/blog/5993/post/7188
VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras - Rio de Janeiro
VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras. Participação especial entre as Mulherageadas: Rui de Habeurim de 18 a 22 de Outubro...










