sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

POESIA COMENTADA

poemundo

SANTO NOME EM VÃO

o ruim de ser povo
é avalizar um empréstimo novo
em Calcutá
sem nunca ter ido lá.

Ulisses Tavares

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Ulisses é companheiro de jornada há muitos anos, uma pessoa muito querida, também porque me identifico bastante com sua poesia; e este poema que estou postando  hoje, considero uma aula de política no melhor estilo, ou seja: do jeito mais simples… Ferino observador dos atos humanos, sua crítica aguçada e sempre muito atual. O livro do qual consta Santo nome em vão (aqui, nada a ver com Deus, mas com o povo da Terra) é O Eu entre nós (de 1979, Edições Pindaíba, do próprio autor), de trinta anos atrás… A velocidade das mudanças nos parece tão rápidas, para determinados fenômenos e, infelizmente, há “manobras políticas” que não mudam, principalmente em tempos de globalização. Este poema faz-me lembrar o brilhante (e saudoso) sociólogo brasileiro Octavio Ianni, quando ele afirma que a crise do Estado-nação, derivada das nações terem se tornado “demasiado pequenas como unidades de comércio e demasiado grandes como unidades de administração”, faz com que reflitamos na trágica constatação, também dele, de que “os consórcios não têm pátria”.

10 comentários:

Ricardo Alfaya disse...

Santa Leila, como consegues ter tanta disposição, mulher-menina? Parabéns por mais esse empreen(dis)prendimento -de repente me lembrei de alguns recursos que vc gostava de usar. Teu blog, istá lindo. Num repare nus erros tutalmente intencionais. Depois de um dia inteiro trabalhando com revisão de trextos alheios, tem-se de soltar a franga, o galo, o galho e tudo mais. Beijokisses, Ricardo. (O Alfaya).

Leila Míccolis disse...

Adorei teu humor, Ricardo. Mas tem que ser assim mesmo, porque amargura e comodismo (nos) enferrujam... rs. Obrigada, amigo, pela mensagem. Beijíssimos também, Leila

Tânia Du Bois disse...

Cara Leila,

Santo Nome em Vão - este poema me leva a caminhos entrelaçados, para alcançar segredos e verdades, em outro patamar de interação e consciência.
Borges escreveu:"...é um conjunto de símbolos mortos...e as palavras saltam para a vida." Isto é, com a literatura posso vivenciar as coisas em dimensões diferentes.
Beijos,
Tânia

Leila Míccolis disse...

Tania querida, seu comentário é ótimo. Realmente a ironia do título faz com que a dimensão paralela se faça. Obrigada por vir até aqui, trazendo o fantástico Borges com você. Beijos, Leila

Flávia Côrtes disse...

Leila, querida, não me admira sua identificação com o poeta. Você também tão deliciosamente ferina e observadora...
Seu post me lembrou daquelas nossas intermináveis conversas teóricas... a globalização e a pós-modernidade podem ser objeto de intermináveis teorias e discussões, mas, no final das contas, chegamos sempre à conclusão de que boa parte dos seres humanos, e portanto a política aí incluída, continuam exatamente iguais em sua essência. A propósito, Eagleton virá à FLIP! Te encontro por lá? Beijos
Flávia Côrtes

Leila Míccolis disse...

Flavinha, eu acho que o que não muda é exatamente a manipulação do poder, são as estratégias que o sistema político usa para lucrar em todas as épocas... A essência do ser vai evoluindo, vai voltando às origens, e aí se transforma sim - é o que eu penso. Quanto a FLIP infelizmente estou duranga minha amiga. Se vc for, grava a palestra para depois eu ouvir o que ele falou. Obrigada e beijos, Leila

K. disse...

Leila! Bom lembrar...Ulisses, Edições Pindaíba, o Ari que nunca mais encontrei. Por isso tudo o tempo que nos aguente: os poetas, os povos, o Brasil...as dúvidas e as dívidas!
Bj grande!
Cathia

Leila Míccolis disse...

Cathia, sim, era um pessoal ótimo que se dispersou. O Ulisses está sempre em contato; quanto ao Ari, soube que estava morando fora do Brasil, não sei. Mas é isto aí, nada de nostalgia, cada tempo tem sua beleza, novos enigmas para decifrarmos e desafios diferentes para vencermos. Continue em contato, querida. Beijos, Leila

Yonne Santiago disse...

Ai que saudades... das boas... vcs continuam vivinhos em mim... abraço fraterníssimo querida!
Yonne Santiago

Leila Míccolis disse...

Yonne querida, saudades também. Acho que junho vou a SP lançar minha obra poética completa. Por favor, não falte, preciso do seu abraço. Beijão.