Papai era,
mal comparando,
uma dama da noite:
volúvel e boêmio
sumia às vezes
meses
(enquanto lhe pagassem tragos
batia asas).
E mamãe ficou sendo
o homem da casa.
Leila Míccolis
- Do livro: "Literatura Século XXI", vol.2, Blocos, RJ, 1999
Linkagem do meu envolvimento com coisas, animais e pessoas ao imenso frame hipertextual do mundo.
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Em vez de se iluminar
o Homem insiste em brilhar.
Leila Míccolis
Dizem que o amor é cego,
não nego,
por isso te abro os olhos:
não tenho bens nem alqueires,
eu não sou flor que se cheire,
nem tão boa cozinheira,
(bem capaz que ainda me piches
por só comer sanduíches),
minha poesia é fuleira,
tenho idéias de jerico,
um cio meio impudico
como as cadelas e as gatas,
às vezes me torno chata
por me opor ao que comtemplo,
sei que sou péssimo exemplo,
por pouca coisa me grilo,
talvez por mim percas quilos,
eu não sei se valho a pena,
iguais a mim, há centenas,
desejo te ser sincera.
Mas no fundo o amor espera
que grudes qual carrapicho:
são tão grandes meu rabicho
e minha paixão por ti,
que não estão no gibi...
Ao te ver, viro pamonha,
sem ação, e sem vergonha
o meu ser inteiro goza.
Por isso, pra encurtar prosa,
do teu corpo, cada poro
eu adoro adoro adoro...
Leila Míccolis
Do livro: "Sangue Cenográfico", Blocos, 1997, RJ
EVOLUÇÃO
Meio cabra para escalar montanhas,
meio peixe para imergir profundezas.
Do mar abissal — ancestral
(limo, sal e correntezas) —
até à terra: empreitada
de bilênios de escalada,
e de íngremes conquistas,
estrada em busca da vista
que só do alto se avista...
Leila Míccolis
VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras. Participação especial entre as Mulherageadas: Rui de Habeurim de 18 a 22 de Outubro...