Linkagem do meu envolvimento com coisas, animais e pessoas ao imenso frame hipertextual do mundo.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Geração Inde(x)pendente
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
O MICRO E EU
Quando o micro chegou em minha vida achei até que a adaptação foi fácil quanto ao teclado de digitação. O pior era criar um arquivo e salvar... Eu escrevia todos os passos (que eram apenas quatro ou cinco) em um caderno, tudo explicadinho. Na hora de fazer, salvava tudo errado. Nestas horas, meu amigo, que pacientemente me ensinava, ficava horas pelo telefone me teleguiando à distância para me ajudar a descobrir onde eu salvara o arquivo perdido, sempre nos lugares mais loucos do mundo, ou melhor do micro, óbvio.
Uma vez, ainda neste estágio preliminar, perdi uma peça de teatro que eu estava criando. Do primeiro arquivo deletado a gente não esquece... A peça se chamava "Fora de Forma" e eu não tinha "backup", aliás, foi a primeira vez que fui apresentada a um arquivo de segurança, pena que justo em meio a uma situação tão dramática (e a peça era uma comédia...).
Fiquei muito magoada com o micro, porque achei que a culpa era dele, eu não tinha feito nada demais. Ele é que estava a fim de atrapalhar o meu trabalho. Então, lembrei-me dos filmes em que o computador tinha vontade própria e por um bom tempo (alguns minutos) considerei-o um inimigo. E ele agiu assim, realmente. Quando eu estava trabalhando na reformatação da "74.5 - Uma onda no ar" para a TV portuguesa, ele literalmente "explodiu". Fiquei três dias trabalhando com um dos micros da produtora e, quando o meu chegou do conserto, veio com um rombo na "placa mãe". Disseram que, para consertá-lo direito, levariam muito tempo (na verdade, como era a produtora independente quem estava pagando o conserto, ela disse para fazer o micro funcionar rápido, e os técnicos fizeram apenas um "gatilho" provisório). No entanto, a partir daí, ao ver meu computador, mesmo combalido e fraco, quase sem memória, esforçando-se para cumprir suas tarefas (às vezes dezoito horas seguidas de trabalho), sem "esmorecer", sem pifar, sem me deixar na mão, comecei a gostar dele: o danado era resistente como eu, tínhamos garra... na primeira manifestação de simpatia de minha parte, ele recolheu as garras e eu baixei a guarda.
Vários anos se passaram desde então. Neste exato momento, confesso que não poderia viver sem ele, ou melhor, abandoná-lo seria tão triste quanto me separar de um ente querido — e atentem para o detalhe de eu tê-lo chamado de "ente"... —, principalmente depois que nós, eu e Urhacy, instalamos a internet (desde julho/96), construímos um site cultural, Blocos (http://www.plugue.com.br/blocos) e fizemos muitos amigos. A última da internet foi tão fantástica que quero partilhar com vocês: em agosto de 1984, no dia do enterro de meu pai, soube da existência de uma irmã (também filha dele). Depois deste dia, nós nos mudamos, e nos perdemos. Há duas semanas, ela me reencontrou pelos mecanismos de busca da internet, há mais de dez anos mora nos Estados Unidos. Todos os dias temos falado durante horas, pelo ICQ. E eu, que sempre fui criada como filha única, de repente vejo-me com sobrinhas e com a alegria de já ser, até, tia-avó... Parece trama de novela de televisão, mas é vida real.
Tanta emoção devo ao meu querido computador, esse amigo maravilhoso amigo de todas as horas — de diversão, conversas, jogos, informações e trabalho. Agora, sendo considerado como tal, ele me premia, retribuindo em dobro toda a felicidade que sinceramente lhe desejo. Portanto, se você ainda está na perigosa fase de atração e rejeição pelo seu micro, ultrapasse-a logo: descarte a primeira parte e fique com a segunda. Para o bem dos dois. E de todos.
Texto publicado no Caderno de Informática do Estado de São Paulo, fls. 2, em 06/04/98
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
A SECO
se não o outro corre;
mas passada a bebedeira,
a gente acha que fez besteira,
não devia ter falado,
que se expôs adoidado,
à toa e foi tolice.
Finge-se então que se esquece o que disse,
culpa-se a carência, a demência, a embriaguez
responsáveis por tamanha estupidez.
E é aceitando este estranho cabedal
que quando se volta ao "estado normal",
cada vez mais sós, na defensiva,
corroídos morremos de cirrose... afetiva.
Leila Míccolis
Do livo: "Sangue Cenográfico", Blocos, 1997, RJ
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
VÃ FILOSOFIA...
Falas muito de Marx,
de divisão de tarefas,de trabalhos de base,mas quando te levantasnem a cama fazes...
Leila MíccolisPoema do livo: "Sangue Cenográfico", Blocos, 1997, RJ
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Clipes, grampos e elásticos
Sabemos quem foi o inventor do telefone, do para-raios, da lâmpada elétrica, mas... e dos clipes? Dos elásticos, já que eles são feitos de qualquer material que tende a preservar seu cumprimento, forma e volume contra as forças externas, nos lembramos logo de Newton e a sua lei da ação e reação. Sobre o grampo (de construção) encontrei um site com uma explicação tão interessante, que não resisto em dividir com vocês: sua origem data dos antigos persas, "que precisavam de uma solução para manter firmemente unidos os blocos de pedra que utilizavam nas construções de Pasárgada, sua primeira capital imperial (hoje, no Irã). Foi então que um dos construtores inventou um pedaço de metal torto, como se fossem dois pregos unidos por uma mesma cabeça, que era fincado contra dois blocos. Nasciam os famosos grampos, que serviriam para unir vários objetos ao longo da história".
Sobre os clipes, porém, não encontrei nada, nadinha, o que considero uma tremenda injustiça. O clipe prende, agrega, une democraticamente quaisquer papeis sobre os assuntos mais heterogêneos que resolvamos juntar, dependendo de nossa criatividade ou doideira. Para ele não importa a textura ou o volume de páginas, desde que respeitado, óbvio, sua capacidade proporcional ao seu tamanho: está sempre pronto a ligar, a não deixar as palavras soltas ao vento, com uma vantagem a mais do que o grampo: o clipe prende transitoriamente, permitindo mudar a ordem das páginas à vontade, ou seja, permitindo uma infinidade de combinações sem agredir os papéis (ao contrário, se grampeamos errado alguma página, retirar o grampo, por maior cuidado que se tenha, deixa marcas no papel).
Fiquei pensando que deveria ser um grande elogio revelar para alguém que amamos: você é meu clipe, desde que o outro imediatamente entendesse a mensagem como: você é meu elo de ligação entre os diferentes aspectos do que sou. Mas, dependendo do outro, talvez a mensagem fosse recebida de modo truncado e surtisse o efeito contrário, como: considero você um objeto para mim, ínfimo e banal... Temos que admitir que há pessoas que complicam tanto a vida que perdem a capacidade e a sensibilidade de perceber a velada dimensão dos objetos simples.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Ponto de vista
Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções
(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem sutilmente
essas sim são imorais,
essas sim são indecentes.
Leila Miccolis
Poema do livo: "Sangue Cenográfico", Blocos, 1997, RJ
sábado, 28 de janeiro de 2012
Para um sábado com mais sabor, uma receita naturalista

Abobrinha ao catupiry
Ingredientes:
1 abobrinha lavada grande, cortada em tira no sentido do comprimento
1 ovo
leite
farinha de trigo
1 lata de milho verde escorrido e lavado
manteiga1 cebola pequena bem picadinha
cheiro verde - 1 caixa de catupiry (pode ser um copo de requeijão cremoso)
1 pacote pequeno de batata palha
sal e pimenta do reino a gosto
óleo para fritura
Modo de fazer:
1 - Abobrinhas - Faça uma massa misturando ovo, leite e farinha de trigo, temperada com sal e pimenta do reino a gosto. Deixe as abobrinhas imersas nessa massa, por cerca de meia hora, pra que fiquem bem envolvidas. - Passe as abrobrinhas molhadas na massa pela farinha de trigo, frite-as dourando bem dos dois lados em óleo quente. Escorra em papel absorvente e reserve.
2. Milho - Numa panela aqueça a manteiga e frite a cebola até dourar. Refogue o milho escorrido e lavado, tempere a gosto com sal e pimenta do reino. Desligue a panela e acrescente cheiro-verde picadinho. Reserve.
3. Montagem do Prato - Aqueça o forno - Num refratário vá colocando em camadas: abobrinha, milho e catupiry. A última camada deve ser de catupiry. Jogue as batatinhas por cima e leve ao forno pra gratinar. Sirva com arroz e salada ou legumes verdes.
Receita enviada pela Thaty Marcondes
Leiam mais de 200 receitas naturalistas em meu site:
http://www.blocosonline.com.br/sites_pessoais/sites/lm/culinar/culititrec.htm
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
EMPREGADA VIRTUAL
Manuela era uma
empregada que mamãe não tinha, ou seja, uma abstração.
Sempre que ela queria
me chamar atenção por alguma coisa, dizia: – "Vai arrumar o quarto (ou
lavar o prato ou qualquer outra coisa no gênero) que a Manuela hoje não
veio". Eu já estava acostumada. No entanto, como falava na frente das
visitas, algumas não percebiam que se tratava de uma ironia da parte
dela.
Um dia, uma de suas
amigas lhe falou: – "Essa empregada falta mais do que trabalha, não sei
porque você ainda não a despediu". Só então mamãe se deu conta de que a
brincadeira estava sendo levada a sério e tratou de desfazer o mal-entendido,
contando que Manuela não era real, não existia, era uma piada, hoje falaríamos
fake...
Quando D. Rosalinda
soube que não havia Manuela nenhuma, ficou visivelmente consternada. Eu era
criança, mas percebi seus sentimentos pela expressão semelhante a que eu
própria tive quando soube que Papai Noel não existia. Na época, se meus
coleguinhas diziam que o "bom velhinho" era mentira, eu estufava o
peito e argumentava: – "Mamãe disse que ele existe e eu acredito, porque mamãe
não mente". Imagine então a surpresa quando encontrei os presentes que eu
pedira de Natal no guarda-roupa de meus pais (naquela época, naturalmente, eu
ainda não discernia a mentira da fantasia e da ficção; aliás, porque as
fronteiras entre este trio às vezes são bem difusas e tênues).
Pois foi a mesma cara
de decepção que eu vi estampada no rosto da visitante, abalada com a
informação. Na hora não entendi direito o porquê, mas hoje penso que talvez
minha mãe fosse a única das amigas de D. Rosalinda a ter uma empregada, ainda
por cima uma empregada faltosa, cuja patroa, em sua grande generosidade, a
mantinha há anos. Portanto, mexer em Manuela, era também, de certa forma, achar
que minha mãe era... digamos insincera, para não taxá-la de mentirosa – isto
abalaria a confiança que sentia pela grande amiga.
Manuela só ressurgiu
das cinzas, na minha vida, quando recebi de uma amiga, uma frase de Wilhelm
Stekel (quanto tempo não ouvia falar no discípulo de Freud – eu era sua
fervorosa admiradora nos tempos da minha Faculdade de Direito, época em que eu
lia mais psicanálise do que obras jurídicas.... Depois mudei para Reich, mas
esta é outra história). Escreveu Stekel: "Nem sempre a verdade é
fundamental para a nossa felicidade... Existem pessoas que morrem quando seus
olhos são abertos!" (O Pato Selvagem, de Ibsen, teatraliza este tema de
forma intensamente impactante).
Logo que terminei de
ler a frase do psiquiatra austríaco, D. Rosalinda me veio à cabeça, porque não
parou a dois parágrafos atrás a história dela com Manuela: foi tão forte para a
amiga de minha mãe a ideia da inexistência daquela empregada, a quem
provavelmente já imaginara com um corpo, gordo ou magro, e com uma história trágica
a lhe justificar tanta falta, que a visitante preferiu pensar que minha mãe
mentira sim, porém com a melhor das intenções, a de não "humilhá-la",
pois D. Rosalinda jamais poderia pensar em ter uma – professora sempre foi mal
remunerada em nosso país... Todos reverenciavam minha mãe por seu caráter
ilibado, por ser devotadíssima diretora de escola primária e mestra também em
delicadezas (na época dela – pasmem – as pessoas ainda tinham respeito umas
pelas outras, achávamos verdadeiramente que "ninguém era melhor do que
ninguém" e que bofetadas, só se dava... com luvas de pelica).
Provavelmente por isso, a visitante preferiu acreditar nesta versão criada por
ela mesma, por ser mais condizente e à altura da admiração nutrida por sua
colega de profissão. Foi aí que a expressão facial dela repentinamente
desanuviou-se, transformou-se, e, visivelmente, os sentimentos de frustração e
de insegurança que sentia deram lugar a um largo sorriso de imensa gratidão.
Manuela morreu com mamãe, mas, por tantas e tantas histórias a ela atribuídas, foi a mais forte das personagens fictícias a conviver comigo na infância. Depois de Papai Noel, é claro.
Leila Míccolis
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
ALVOS
me chamam de doida;
eu sorrio e os apedrejo,
pra aprenderem
que as loucas têm perfeita pontaria.
Leila MíccolisDo livro: "Sangue Cenográfico", Blocos, 1997, RJ
VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras - Rio de Janeiro
VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras. Participação especial entre as Mulherageadas: Rui de Habeurim de 18 a 22 de Outubro...







