Linkagem do meu envolvimento com coisas, animais e pessoas ao imenso frame hipertextual do mundo.
sábado, 1 de setembro de 2012
Meu novo Jornal Literário na web
quarta-feira, 18 de julho de 2012
FACE TO FACEBOOK
Há muito disso: vitrines sem conteúdo, armazéns de frases feitas. Porém até nestas dá para encontrar certa graça, se nos propomos a questioná-las. Outro dia, alguém postou algo do gênero: não seja o sol que brilha, mas o vagalume que ilumina. Comentário meu: “acho que devemos ser os dois, sol de dia e vagalume à noite, porque os brilhos são diferentes”. E pensei: já imaginou só vagalumes de dia? Ia ser muito escuro, igual à noite. (Amo o sol...).
Há também gatófilos e cachorrófilos como eu, então me sinto em casa e tão à vontade que me animei a fazer dois álbuns de fotos: Afetos múltiplos e Eventos inesquecíveis: estes últimos com encontros marcantes, em geral com poetas – tem até Cora Coralina lá: conheci-a em 1982, quando fui a coordenadora do setor de Literatura do Rio no 1º Festival de Mulheres nas Artes (Teatro Ruth Scobar/SP). Aliás, depois que coloquei Coralina, muito mais gente me encontrou no Face. Chamo este fenômeno de brilho por osmose: se você é amigo de quem conhece algum nome famoso, parece que você passa a estar mais perto dessa celebridade. As pessoas “se sentem”. Sentem-se importantes também.
Alguém há de me perguntar: e por quê você quis aparecer ao lado de
Coralina: não foi pelo mesmo motivo? Não, o meu foi afetivo, o partilhamento de
um momento de grande emoção. Quando vi aquela senhora tão velhinha entrar no
Festival (nem sabíamos se ela iria, pois não tinha confirmado a presença)
fiquei encantada: ela parecia tão doce quanto os doces que fazia. Caminhava com
dificuldades, ajudada por duas amigas. Dei para ela autografar o catálogo do
evento, e ela perguntou-me intrigada, sem nem me olhar: - “Você não comprou meu
livro?”. Presenteei-lhe com a verdade: “não tenho dinheiro no momento, Cora”.
Então ela levantou os olhos muito límpidos, me viu – este instante foi incrível
– sorriu para mim (que gracinha!) e disse, como quem faz uma travessura
inocente e nova: – “Sabe?, eu nunca autografei um catálogo”... e ficamos
conversando um pouco – a fila de autógrafos era enorme – sobre a “dor e a
delícia” de gostarmos de fazer poesia. Depois, ela sugeriu que eu ficasse por
ali, perto dela (como se eu pudesse sair... eu estava em estado de transe
hipnótico), e de vez em quando, entre uma e outra dedicatória, trocávamos
algumas frases, eu e Coralinda.
Falei no início em vitrine mas, em meio a
tantas mensagens, observo que a visibilidade pessoal esperada e tão alardeada é
um tanto relativa: há que sermos garimpeiros ou entrarmos no Face com o espírito de “caça ao tesouro”
("sem lenço e sem documento", leia-se, sem mapa com pistas); porém, esperta
que sou, já sei onde encontrar meus ouros: tenho tido muito prazer em acompanhar
as inteligentes postagens do Chico (chequei até a compartilhar uma música
através dele), da Ivana, do Zeballos, da Márcia Sanchez, da Leninha, do Braulio
Tavares, do Affonso Romano, do Henrique Cairus, da prata da casa – Urhacy Faustino e
Mônica Banderas – entre vários outros. Isso me faz pensar no óbvio: o ser
humano estraga ou enriquece as redes sociais de que participa. Simples assim.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Jogamos mesmo fora todo lixo que não presta?
Serres mostra que todo animal, pela urina, pelo excremento,
pelo sangue e pelo esperma – conforme o caso
– apropria-se de um local, terreno ou
território (que pode ser a territorialidade de um país ou de um corpo). Os
cães, os javalis e os gatos urinam para marcar sua passagem; as tribos
antropófagas, ao devorarem o inimigo, apossavam-se das qualidades dele – só os
guerreiros considerados heróis eram merecedores de tal honraria; nos rituais de
sacrifício religioso (ainda hoje) e nas guerras (tradicionais), a terra onde o
sacrificado ou o inimigo tomba torna-se sagrada para o vencedor, “legitima-o em
sua posse”.
Sujar, no sentido de macular, de marcar presença, pertence
ao animal – ao animal que também somos: “a sujeira e a limpeza delimitam
a propriedade”. Por
exemplo: em um hotel (ou motel), após a saída de um hóspede, o próximo a se
instalar exige roupas de cama limpas, para que possa apropriar-se e imprimir
suas marcas, quaisquer que sejam, mesmo que seja apenas um simples amarfanhado
nos lençóis; ninguém se enxuga, também, nas toalhas de outro, ou senta-se em
vaso sanitário que não tenha o aviso de que foi higienizado. Não que o escritor
preconize uma sociedade ascética – o excesso de limpeza é tão nocivo quanto o
seu contrário; não, a direção que ele segue é outra – ao final exporei a
proposta dele.
Serres tem o cuidado de observar a “Modernidade Líquida”
(outro livro incrível, do sociólogo Zygmunt Bauman), analisando a poluição suave
– ou seja, sutil – que mal percebemos de tanto que ela já está impregnada
em nosso cotidiano: a poluição da marca e da propaganda – imagem e som – que atravessa nosso caminho e entra pela nossa
casa. É belíssimo quando ele escreve que os outdoors
roubam-nos a paisagem e que o barulho de uma televisão ligada apropria-se da
convivência/fala entre as pessoas em um determinado local e até da intimidade
do silêncio. “Os
poluidores sujam o mundo para dele se apropriar”.
Trata-se de uma expansão desterritorializada, globalizada, sem fronteiras,
apropriação que nos faz ter “um
subjetivo tão poluído quanto o coletivo e o objetivo”.
O pensador francês diversifica e amplia o conceito de lixo
para inúmeras áreas, e em certo momento chega à indústria automobilística,
refletindo sobre suas estratégias e ciladas – tantas vezes imperceptíveis, embora
“expostas ao olhar de todos”: [tais setores] “dividem com o comprador a
propriedade. São ainda mais espertos, eles ficam com ela!”, pois um carro não
anuncia o nome nem o estilo de quem “pensou tê-lo comprado; (...) o que ele anuncia
é a marca do fabricante. Pagamos às montadoras o que compramos, mas, de certa
maneira, elas ficam com o que vendem. Permanecemos apenas locatários. Somos
roubados, mas em troca podemos, enfim, compreender a máxima famosa de Prudhon: ‘A propriedade é um roubo’!”. E o escritor finaliza, ironicamente, acrescentando
que, iludidos, ainda fazemos fila para multiplicar, no sentido de apoiar e
fomentar, a publicidade da qual somos vítimas.
O que Serres sugere é encontrarmos o que é próprio de uma
sociedade (propre também pode ser
traduzido do francês como limpo/limpa, e aqui a ambiguidade de sentidos é
importante)), a fim de descobrir o que realmente há nela depois que a
desvencilhamos de “tsunamis
de lixos” e de dejetos dos
mais variados tipos: industriais, tóxicos, culturais, publicitários,
identificadores sociais (carteiras, cartões de crédito, talões de cheques),
etc. e tal. Neste contexto atual, de “invadir
o mundo e ocupar sua extensão, corremos o risco de perder o caminho da
hominização”, já que vivenciamos
inclusive o perigo cada vez maior de sermos locatários do planeta, em vez de o
habitarmos de forma responsável, consciente e plena. Então, é o retorno a este
processo de hominização que o autor propõe, nem que seja apenas estando atentos
ao reconhecimento do lixo que acumulamos e da poluição diária que respiramos (e
que nos sufoca) de forma ininterrupta, em diversas áreas, para tentar
minimizá-los também dentro de nós. Difícil? Muito. Mas não de todo impossível.
Leila Míccolis
domingo, 27 de maio de 2012
Fui um réptil?
Leila Míccolis.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
- No Youtube, entrevista para o programa de televisão Imagem da Palavra, entrevistadora: Guga Barros
http://www.youtube.com/
- No blog da famosa revista Escrita (agora digital), entrevistador: Wladyr Nader
quinta-feira, 22 de março de 2012
Uma coruja pousou em minha defesa de tese
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
CAMADAS
intocável, sem entregas,
nem se dar também, às cegas,
a tudo o que nos agrade.
Ser livre é viver a idade
que sente o nosso querer,
é viver conforme a vida
é sobretudo viver.
E viver é mergulhar
para emergir com o submerso,
ampliando, a cada dia,
os limites do universo.
Leila Míccolis
Do livro: "Sangue Cenográfico"
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Da primeira novela a gente não esquece
de setembro de 1986 a março de 1987
Eu estava nervosa, uma
pilha. Embora ninguém colocasse nestes termos, eu sabia perfeitamente que
aquele seria um teste, não para passar de ano, mas para mudar o curso do rumo
de minha vida, talvez provisório-definitivamente... Pela primeira vez eu ia
escrever para a televisão com créditos na tela. Isto, se fosse aprovada. Óbvio.
Lá fomos nós: eu e meu
medo. Tocamos a campainha, Silvan Paezzo nos atendeu, com olhar sisudo,
convidando a entrar; finalmente, eu estava diante do "monstro
sagrado" da minha juventude. Eu tinha lido todos os seus romances
críticos, violentos, entre fascinada e horrorizada, e, até hoje, amo-os
profundamente. Também foi dele a única novela que acompanhei, antes de escrever
para a TV. Lembro-me de que Juca de Oliveira fazia greve de fome para
sensibilizar a heroína, sua bem-amada, e, depois de conseguir tê-la em seus
braços, com tanto sacrifício, ele morria no último capítulo, vítima de anemia.
Só mesmo um grande autor seria capaz de uma ousada e perigosa reversão de
expectativa desse tipo. Pois era diante dele que eu estava...
Em poucas palavras Silvan
me colocou a par da situação: precisava de uma colaboradora para acabar
"Mania de Querer" (1987), pois, por problemas internos, mais da
metade do elenco tinha saído; precisava então refazer a sinopse, pois a novela
era praticamente outra, precisava mudar até os rumos da trama, devido à
debandada de atores. Perguntou-me se eu tinha experiência em TV e respondi que
só fizera um Caso Verdade, comprado pela Globo, através de Henrique Martins,
mas que o seriado não tinha sido exibido, por causa da censura prévia, o tema
era muito forte (barriga de aluguel) para o horário da tarde. Ele foi durão:
"– Saber que você escreve bem, eu sei, todos sabem; mas, como não li
nenhum roteiro seu, preciso ver seu estilo. Me escreve aí a seguinte cena: uma
mulher bonita está malhando, sozinha na academia, quando entra o ex-namorado,
agarra-a e transa com ela à força". Pensei de imediato: ele tinha
que começar logo com um estupro?...
Lembrei-me, porém, da "Época dos tristes", "Diário de um transviado", "Av. Copacabana 389 apt 801", "Santa Rosinha do Mangue", "Madame Satã" e achei que ele estava sendo coerente, seu pedido fazia sentido. Caprichei então, carreguei nas cores para ser tão realista e forte quanto o "Mestre". Quando acabei, ele leu, franziu o cenho e disse: – "Bom texto, mas muito pesado, principalmente partindo de uma mulher"... Senti uma incômoda sensação de "déjà vu", pois já ouvira muito a variante desta frase com relação a minha poesia. Só que, partindo dele, eu não esperava. Rapidamente levantei-me para ir embora, achando que todas as minhas chances tinham ido por cena abaixo, e lhe respondi, de forma um tanto brusca (pois queria sair dali o mais rápido possível): – "Desculpe, Paezzo, eu não sabia que você queria um estupro leve". Levantei-me já pronta para sair e ele me disse em seu tom seco: – "Senta aí. "Está contratada".
Até hoje não sei se a decisão dele foi motivada pelo que escrevi ou pelo modo com que reagi. Sei que nos entendemos bem. No último dia de trabalho, levei seus livros e pedi que os autografasse. Os exemplares estavam velhos, amarelecidos, com a capa quase despencando, e cheios de anotação. Surpreso, ele folheou-os: "– Esses realmente foram muito lidos". Confirmei: – "Foram. Para mim, você é um dos melhores romancistas deste país". E complementei logo, já que eu sabia que ele não me perguntaria, mesmo que desejasse muito saber a resposta: – "Não lhe falei isto antes, porque eu não queria que minha admiração interferisse na nossa convivência profissional, nem que você pensasse que eu estava te elogiando por puxa-saquismo". Ele emocionou-se. Sei disso porque, pela primeira e única vez, ganhei dele um tímido sorriso. E este, eu tenho certeza, não foi pelo que eu lhe dissera, mas pela capacidade, que sempre tive, de surpreendê-lo.
***
Eu terminara esta crônica
no parágrafo acima, pois nunca mais o vi depois daquele dia e sabia que ele
falecera no ano 2000 – Mania de Querer fora seu último trabalho para a
televisão. No entanto, há alguns anos, o filho dele entrou em contato comigo
(eu o conheci quando ele tinha dois ou três anos de idade), através de uma rede
social e me fez uma grande revelação: – "Meu pai falava que você tinha
sido a melhor parceira de toda a carreira dele; ele tinha enorme admiração por
você". Ao saber disso, pensei: se em vida sempre surpreendi Silvan, agora
ele fizera o mesmo comigo – uma bela reversão
de expectativa, que também me fez sorrir timidamente emocionada.
Leila Míccolis
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
ZOOM
de juntar flores e feixes,
percorre alegre a lagoa
fazendo cócega aos peixes...
Leila Míccolis
Poema constante do projeto CeluLer - poesia diária por telefone
(Foto extraída do site: http://cliqueambiental.blogspot.com/2011/02/lagoa-do-peixe-um-paraiso-de-aves-aguas.html)
VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras - Rio de Janeiro
VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras. Participação especial entre as Mulherageadas: Rui de Habeurim de 18 a 22 de Outubro...









