Linkagem do meu envolvimento com coisas, animais e pessoas ao imenso frame hipertextual do mundo.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Uma coruja pousou em minha defesa de tese
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
CAMADAS
intocável, sem entregas,
nem se dar também, às cegas,
a tudo o que nos agrade.
Ser livre é viver a idade
que sente o nosso querer,
é viver conforme a vida
é sobretudo viver.
E viver é mergulhar
para emergir com o submerso,
ampliando, a cada dia,
os limites do universo.
Leila Míccolis
Do livro: "Sangue Cenográfico"
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Da primeira novela a gente não esquece
de setembro de 1986 a março de 1987
Eu estava nervosa, uma
pilha. Embora ninguém colocasse nestes termos, eu sabia perfeitamente que
aquele seria um teste, não para passar de ano, mas para mudar o curso do rumo
de minha vida, talvez provisório-definitivamente... Pela primeira vez eu ia
escrever para a televisão com créditos na tela. Isto, se fosse aprovada. Óbvio.
Lá fomos nós: eu e meu
medo. Tocamos a campainha, Silvan Paezzo nos atendeu, com olhar sisudo,
convidando a entrar; finalmente, eu estava diante do "monstro
sagrado" da minha juventude. Eu tinha lido todos os seus romances
críticos, violentos, entre fascinada e horrorizada, e, até hoje, amo-os
profundamente. Também foi dele a única novela que acompanhei, antes de escrever
para a TV. Lembro-me de que Juca de Oliveira fazia greve de fome para
sensibilizar a heroína, sua bem-amada, e, depois de conseguir tê-la em seus
braços, com tanto sacrifício, ele morria no último capítulo, vítima de anemia.
Só mesmo um grande autor seria capaz de uma ousada e perigosa reversão de
expectativa desse tipo. Pois era diante dele que eu estava...
Em poucas palavras Silvan
me colocou a par da situação: precisava de uma colaboradora para acabar
"Mania de Querer" (1987), pois, por problemas internos, mais da
metade do elenco tinha saído; precisava então refazer a sinopse, pois a novela
era praticamente outra, precisava mudar até os rumos da trama, devido à
debandada de atores. Perguntou-me se eu tinha experiência em TV e respondi que
só fizera um Caso Verdade, comprado pela Globo, através de Henrique Martins,
mas que o seriado não tinha sido exibido, por causa da censura prévia, o tema
era muito forte (barriga de aluguel) para o horário da tarde. Ele foi durão:
"– Saber que você escreve bem, eu sei, todos sabem; mas, como não li
nenhum roteiro seu, preciso ver seu estilo. Me escreve aí a seguinte cena: uma
mulher bonita está malhando, sozinha na academia, quando entra o ex-namorado,
agarra-a e transa com ela à força". Pensei de imediato: ele tinha
que começar logo com um estupro?...
Lembrei-me, porém, da "Época dos tristes", "Diário de um transviado", "Av. Copacabana 389 apt 801", "Santa Rosinha do Mangue", "Madame Satã" e achei que ele estava sendo coerente, seu pedido fazia sentido. Caprichei então, carreguei nas cores para ser tão realista e forte quanto o "Mestre". Quando acabei, ele leu, franziu o cenho e disse: – "Bom texto, mas muito pesado, principalmente partindo de uma mulher"... Senti uma incômoda sensação de "déjà vu", pois já ouvira muito a variante desta frase com relação a minha poesia. Só que, partindo dele, eu não esperava. Rapidamente levantei-me para ir embora, achando que todas as minhas chances tinham ido por cena abaixo, e lhe respondi, de forma um tanto brusca (pois queria sair dali o mais rápido possível): – "Desculpe, Paezzo, eu não sabia que você queria um estupro leve". Levantei-me já pronta para sair e ele me disse em seu tom seco: – "Senta aí. "Está contratada".
Até hoje não sei se a decisão dele foi motivada pelo que escrevi ou pelo modo com que reagi. Sei que nos entendemos bem. No último dia de trabalho, levei seus livros e pedi que os autografasse. Os exemplares estavam velhos, amarelecidos, com a capa quase despencando, e cheios de anotação. Surpreso, ele folheou-os: "– Esses realmente foram muito lidos". Confirmei: – "Foram. Para mim, você é um dos melhores romancistas deste país". E complementei logo, já que eu sabia que ele não me perguntaria, mesmo que desejasse muito saber a resposta: – "Não lhe falei isto antes, porque eu não queria que minha admiração interferisse na nossa convivência profissional, nem que você pensasse que eu estava te elogiando por puxa-saquismo". Ele emocionou-se. Sei disso porque, pela primeira e única vez, ganhei dele um tímido sorriso. E este, eu tenho certeza, não foi pelo que eu lhe dissera, mas pela capacidade, que sempre tive, de surpreendê-lo.
***
Eu terminara esta crônica
no parágrafo acima, pois nunca mais o vi depois daquele dia e sabia que ele
falecera no ano 2000 – Mania de Querer fora seu último trabalho para a
televisão. No entanto, há alguns anos, o filho dele entrou em contato comigo
(eu o conheci quando ele tinha dois ou três anos de idade), através de uma rede
social e me fez uma grande revelação: – "Meu pai falava que você tinha
sido a melhor parceira de toda a carreira dele; ele tinha enorme admiração por
você". Ao saber disso, pensei: se em vida sempre surpreendi Silvan, agora
ele fizera o mesmo comigo – uma bela reversão
de expectativa, que também me fez sorrir timidamente emocionada.
Leila Míccolis
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
ZOOM
de juntar flores e feixes,
percorre alegre a lagoa
fazendo cócega aos peixes...
Leila Míccolis
Poema constante do projeto CeluLer - poesia diária por telefone
(Foto extraída do site: http://cliqueambiental.blogspot.com/2011/02/lagoa-do-peixe-um-paraiso-de-aves-aguas.html)
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Arco-íris e trovões
Fotógrafo: Nicodemos Rosa
Fonte: http://www.panoramio.com/photo/32439284
Só o céu consegue o tento
de ser bravo e colorido
ao mesmo tempo.
Leila Míccolis
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Dar nomes ao cão (***)
_____"Ouou" me cai muito bempor causa do meu latido.
Se chegam desconhecidosaí sim, eu solto a voz,porque Leila me ensinou:“Cuidado: gente feroz!”Já perguntaram pra mim,se inspirei uns versos dela
sobre um tal de "Rin Tin Rin".Isso eu não sei (talvez sim),não conheço este carinha,nunca fui apresentado
(será que agita a patinha
quando também pede agrado?).
Sou "Lobo", pra vizinhança,sou "Totó" para as crianças,mas pros íntimos de casa,
não ligo pra nome não:fico prosa e todo em brasaquando a mão deles me afaga,dizendo muda: meu cão.
Leila Míccolis
(***) Parafraseando o título do poema de T. Eliot, "Dar nome aos gatos".
Publicado no livro: Poemas que latem ao coração, org. Ulisses Tavares, Ed. Nova Alexandria, 2009, SP.
N.A.: Ouou ainda chegou a ver o livro, pois morreu em outubro de 2010.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
FUZILAMENTO
Apontar...
Atirar...
Goool...
Leila Míccolis
Do livro: MPB: Muita Poesia Brasileira, Ed, Trote, 1ª ed. 1982, RJ
VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras - Rio de Janeiro
VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras. Participação especial entre as Mulherageadas: Rui de Habeurim de 18 a 22 de Outubro...








