sábado, 17 de outubro de 2009

Boicotes e estrelismos

Uma das coisas que mais me impressiona na Internet é o pedido de divulgação de algum evento (lançamento de livro, debate, etc.) enviado através de gif, jpeg ou pdf - ou seja: como imagem. Não é preciso ter grandes conhecimentos tecnológicos para sabermos que não dá para copiar um texto que aparece em uma imagem e que uma imagem pesa muito mais do que um texto. Cansei de solicitar para que me enviem somente textos. Atualmente, se já pedi uma vez, não peço mais, deleto e fico pensando em como as pessoas se auto-boicotam consciente ou inconscientemente, pedindo para enviar uma informação que não pode ser "copiada e colada". Ou então, descortesia literalmente grande, ler e-mails autopromoicionais com mais de 1.000 kbytes, em nossos endereços de e-mails, mesmo sabendo que só há tempo de lermos as mensagens de um único provedor diariamente.
Também me deixa perplexa a atitude de alguns autores que mencionam "escritor" como sua profissão. Um escritor é um escritor, lógico. Porém não necessariamente um profissional: nunca vi, por exemplo, alguém exercer uma profissão apenas nas horas vagas... Algum médico medica ou advogado advoga quando quer, de vez em quando, como um passatempo em seu tempo livre? Alguém já se aposentou pelo como escritor? Como se pode falar de uma profissão que não é legalizada, que não tem consciência de classe — pois nem classe é —, que não possui cursos de especialização, cuja lei autoral raramente é cumprida, e cuja grande maioria dos autores ainda acha que literatura (poesia ou prosa) não se aprende na escola? Sem uma ação sócio-política maciça não há profissão, profissionais, profissionalismo ou profissionalização. Então fica-se apenas a escrever textos, e, na maioria dos casos, a imaginarmos que temos a literatura por profissão, sempre que isto for conveniente à nossa autoestima.