quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Diz-me em que Antologia estás e dir-te-ei quem és


Estou um pouco ausente do blog devido aos livros digitais de Blocos Online: A Noite Grega, de Eloah Margoni (já com 627 acessos) e o Panorama da Prosa Contemporânea Brasileira, ambos on line, com excelente repercussão. Sobre a Antologia de Prosa, o professor de Literatura, crítico e grande escritor Rogel Samuel, disse ser o "mais belo livro online" visto por ele. Ainda falta disponibilizar, porém, minha "menina-dos-olhos" a Saciedade dos Poetas Vivos (vol. 8). Eu adoro este projeto. Eu adoro poesia.

Quem vê um livro digital não sabe como são complexos e intrincados os "bastidores" dele. A pré-produção de cada antologia de Blocos é digna de um roteiro cinematográfico (um longa...), uma novela (haja fôlego), ou de um trabalho de garimpo. Porque até nisso somos diferentes: não queremos quantidade, mas qualidade, ou melhor, autores com propostas instigantes, reflexivas, que se destacam do imenso marasmo que soterra a poesia contemporânea. Nossas antologias digitais são um modo de ajudar Blocos a manter-se, mas não é por isso que “quem paga, entra”... A seleção é criteriosa e demoramos meses na escolha de cada um dos participantes, ao todo dezessete apenas, e dos nossos convidados especiais, que solidariamente respaldam nosso trabalho de resistência cultural. O resultado é sempre muito gratificante, porém até chegarmos lá a estrada é longa. Não poderia ser de outra forma, ou nosso “amor à literatura” seria demagogia, falsidade, farisaísmo. Cuidar de todos os detalhes, com extremo carinho, requer tempo, muita dedicação e até disponibilidade afetiva para lidar com cada um dos autores em seu próprio universo. Exercício de manufatura, sensibilidade, tato, território de delicadezas.

Em se tratando de poesia, muitas vezes poucos versos nos falam mais do seu autor – mesmo que seja uma obra de ficção – do que os muitos e-mails trocados, porque os poemas trazem o lado oculto de seu criador, irrevelado às vezes até para ele próprio, mas que transparece ao leitor atento e amoroso. Organizar uma antologia é um treino também de vida, precioso, para quem a coordena, uma demonstração de respeito a quem participa do livro, quase uma espécie de homenagem; é também um aprendizado de introspecção, uma responsabilidade grande, mas também uma enorme alegria quando vemos a obra concluída, e quando sentimos o orgulho dos autores o mesmo nosso em estarem incluídos nela. E quando alguém se incomoda com a falta de comentários por parte de outros poetas dos quais esperava alguma manifestação, sempre digo que não há motivo para alarme: aprendi em Poética que, assim como o vazio não é oco (tem eco), o silêncio não é a ausência de fala, e que é preciso aprendermos a escutá-lo, para entendermos o que ele sutilmente nos revela...