terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

POESIA COMENTADA



 







MUITO ÍNTIMO A UM FILHO

O épico morreu 
mas em toda a parte
há um número de heróis
que não sei meu filho

se escrevo a verdade.

Almir Castro Barros

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Este poema abre o segundo capítulo do meu livro: "Passagem para Calabar" (ABL/Topbooks, 2009), RJ, o que evidencia o quanto eu gosto dele. Desde o meu Mestrado na UFRJ (e agora em minha Tese de Doutorado) venho me debruçando sobre o  gênero épico (principalmente o patético), remando contra a vasta corrente que pensa e age como se o épico estivesse definitivamente morto e enterrado. Com a volta do trágico na sociedade contemporânea, percebo que o épico acordou de sua hibernação, está vivíssimo e atuante, mesmo que as epopéias e os heróis tenham se transformado bastante.
O poema de Almir Castro Barros, extraído do livro "Cães de sina" (Edições Pirata, Recife/PE, 1979), aborda justamente essas duas correntes críticas: de um lado, a que decreta a extinção do épico, e, do outro, a que duvida dessa afirmação categórica defendendo sua sobrevivência, até por acreditar que quando uma nação não souber mais narrar sua história, ou perder sua capacidade de contar sagas, está em vias de extinção. Embora não queira aprofundar-me neste debate aqui — meu intuito é apenas apresentar a  poesia de Almir —, deixo no ar a indagação do porquê termos, hoje em dia, tanta dificuldade em assumir nossa vivência patética, e em perceber o lado épico dentro do contexto de nossa própria saga pessoal: por quê será que sentimos certa nobreza no lírico e no dramático, mas só relacionamos o patético à conotação negativa, sem entendermos as paixões que nos movem cotidianamente?