Linkagem do meu envolvimento com coisas, animais e pessoas ao imenso frame hipertextual do mundo.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
NO MATO COM CACHORROS
Viver no interior de uma cidade nem sempre é viver em um campo. Campo, como o nome diz é campo: "terreno extenso e mais ou menos plano que tanto se pode destinar às pastagens do gado como ao cultivo agrícola" - segundo o Dicionário do Aurélio. É certo que nas cidades do interior ainda há muito mais campos, mas um não pressupõe o outro.
Aqui, em Maricá, podemos dizer que moramos em uma área rural (embora nosso IPTU seja cobrado como área urbana, para que o contribuinte pague mais): a estrada não é asfaltada e há mais bois e cabras no caminho do que gente passando. Também temos boa área para plantar e colher. No entanto, nem tudo é um mar de rosas - aliás, mar é o que não existe por perto, estamos na parte montanhosa de Maricá: há mosquitos, pernilongos, cobras, lagartos e lagartixas, camaleões, moscas, sapos, rãs, pererecas e outros insetos, bratáquios e répteis de maiores ou menores proporções.
A mudança do Rio para Maricá foi difícil, a ponto de eu fazer um livro de poesia "Sob o Céu de Maricá" para exorcisar as calamidades cotidianas da vida campestre... Após oito anos, já vejo a vida no campo com outros olhos, até por causa de nossos animais, que, embora dêem muito trabalho, nos dão também muitas alegrias: são mais de 35 gatos, quase 20 cachorros, além de patos, marrecos, perus, galinhas, porquinhos da índia, pavões, e uma porca (chamada Bolívia). Também existe um gambá, que mora debaixo da escada que vai dar na piscina. Muitas vezes micos nos visitam, pulando entre as árvores, alguns morcegos, bichos-paus (lindos), louva-deus, e, diariamente pirilampos, borboletas (brancas, azuis, amarelas) e, naturalmente, colibris, sempre apressados e nervosos. Um mini-zoológico bastante variado. Aqui, não matamos nenhum animal, nem mesmo baratas, embora Joana, a gata caçadora corra atrás de todos os bichos menores que ela, e, se não conseguimos salvá-los a tempo, era uma vez. Quanto à plantação, temos muitas árvores frutíferas, uma hortinha gostosa com pimenteiras carregadas, bonsais que, plantados na terra, viraram árvores magníficas, e um papiro, de que eu gosto muito, além de congéias, ipês, mulungus, casuarinas (ainda pequenas), e um orquidário - passatempo predileto do Urhacy - com espécies nativas raras, inclusive.
Gosto de Maricá: a natureza tanto na parte do mar quanto na da montanha é exuberantemente bela, e a qualidade de vida é outra - embora a infra-estrutura seja péssima (incrível, porque fica distante de Niterói apenas vinte minutos, e do Rio, apenas a quarenta) e haja também enorme carência de pessoas interessantes (também porque falta teatro, cinema e até internet a cabo aqui na "periferia" - o cabo só vai na área mais central de Maricá). No entanto, aos poucos, os escritores descobrem Maricá - a Simone Salles já mora aqui, o Flávio Machado está vindo também - e mudam, com seus pensamentos a geografia da cidade.
Maricá? A maioria das pessoas da "capital" acha o fim do mundo, e não entende até hoje, como pessoas artistas (leia-se "civilizadas") podem morar no meio do mato (e com tanto cachorro...). Para elas, atravessar quinze minutos de ponte Rio-Niterói e andar mais vinte na estrada é inconcebível, embora levem muitas vezes mais de uma hora para fazer o trajeto da Barra da Tijuca até Ipanema... Ao contrário do que pode parecer de início, esse maior isolamento faz com venham para cá apenas os amigos, para os quais a distância nunca foi obstáculo ou pretexto para se afastarem de nós. Salve portanto Maricá, com seus aprendizados e colheitas-lições diárias de vida.
Leila Míccolis
sábado, 14 de janeiro de 2012
DESCRÉDITO
Se me perguntam:
— “Escrever pra TV, rende?”,
respondo: “Depende
dos créditos”,
— aquelas letrinhas em que aparece
o nome da gente
no começo ou no final,
dependendo do canal.
A gente briga pra tê-los,
pra vê-los nas novelas, seriados
e acaba pirado
porque escritor não tem crédito
nem em Banco,
já que o saldo é sempre manco
e ninguém credita nada.
Ê profissãozinha desacreditada...
— “Escrever pra TV, rende?”,
respondo: “Depende
dos créditos”,
— aquelas letrinhas em que aparece
o nome da gente
no começo ou no final,
dependendo do canal.
A gente briga pra tê-los,
pra vê-los nas novelas, seriados
e acaba pirado
porque escritor não tem crédito
nem em Banco,
já que o saldo é sempre manco
e ninguém credita nada.
Ê profissãozinha desacreditada...
Do livro Sangue Cenográfico, Ed. Blocos, 1997, RJLeila Míccolis
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
MERA COINCIDÊNCIA
Fonte da imagem:
http://blogclickae.blogspot.com
http://blogclickae.blogspot.com
Quando ela o viu
perto do poste da praça,
belo espécime da raça,
notou semelhança extrema
com um artista de cinema.
Mas não achava com quem
se parecia o seu bem.
Hoje dentro do drive-in
lembrou do galã enfim,
cara d’um, focinho d’outro:
pois não é que o seu garoto
é o sósia do Rin-Tin-Tin?...
Leila Míccolis
Do livo: "Sangue Cenográfico", Blocos, 1997, RJ
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
MEU MANUAL DE MANUEL
Faltou luz a tarde inteira
e eu não pude ligar o micro.
Então, fui reler Bandeira:
Poética, A Canção do Beco,
Teresa, Arte de Amar, Martelo,
Neologismo, Carta do meu avô,
Preparação para a Morte...
Pensão familiar...
Ele rimava porque queria rimar,
não porque precisasse:
cada verso seu
é uma obra completa.
O poeta
era a própria Passárgada,
o amigo, o rei
e até mesmo a filha
— amante da Poesia.
Teria conhecido Cuzco, como desejava?
Parou de tossir?
Parou de morrer?
Se voou para os céus dos passarinhos
já deve ter se encontrado com Mozart,
com Irene,
com o balão que subiu
e não caiu na Rua do Sabão...
Fim do dia, meu poeta.
Lá fora, os Sapos, mesmo não lendo tua obra,
declamam dentro do mato:
— “Não foi!” — “Foi” — “Não foi”...
(Ou são cãezinhos bebendo água:
Cloc... cloc... cloc... ?)
Com um toque,
fecho o livro, não há mais luz pra leitura,
mas continuo lembrando a textura
dos teus versos
tão imensos, tão imersos
nos movimentos do mundo.
E mesmo no escuro de uma noite como esta,
sem lua, sem estrelas,
só com pirilampos cansados e apagados,
você brilha,
Manuel.
Belo belo.
Leila Míccolis
Do livro: Poetas 2000, org. Mônica Banderas, Ed. Blocos, 2002, RJ
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
MOVI(ES)MENTO
No começo era o Verboa Mélies e a Lumière
e a Luz se fez.
Mas ao Homem isto não satisfez;
tanto que, tempos depois,
juntou os dois numa magia sincrética e suprema:
criou o Cinema...
Leila Miccolis
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Identidades

Papai era,
mal comparando,
uma dama da noite:
volúvel e boêmio
sumia às vezes
meses
(enquanto lhe pagassem tragos
batia asas).
E mamãe ficou sendo
o homem da casa.
Leila Míccolis
- Do livro: "Literatura Século XXI", vol.2, Blocos, RJ, 1999
domingo, 8 de janeiro de 2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
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VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras - Rio de Janeiro
VI Encontro Nacional do Mulherio das Letras. Participação especial entre as Mulherageadas: Rui de Habeurim de 18 a 22 de Outubro...








