quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A SECO

Tem coisas que a gente só diz de porre, 
se não o outro corre;
mas passada a bebedeira,
a gente acha que fez besteira,
não devia ter falado,
que se expôs adoidado,
à toa e foi tolice.
Finge-se então que se esquece o que disse,
culpa-se a carência, a demência, a embriaguez
responsáveis por tamanha estupidez.
E é aceitando este estranho cabedal
que quando se volta ao "estado normal",
cada vez mais sós, na defensiva,
corroídos morremos de cirrose... afetiva.


                   Leila Míccolis


Do livo: 
"Sangue Cenográfico", Blocos, 1997, RJ 

4 comentários:

Márcia Sanchez Luz disse...

Leila querida, que bom que voltou a postar no blog! É sempre uma delícia ler seus poemas e crônicas. Aprendo muito com você, dinda minha. Não deixe mais este espaço sem o brilho de seus escritos, viu?

Beijos carinhosos

Márcia

Leila Míccolis disse...

Marcinha, devo isto à Mônica Banderas; ela pegou o blog "à unha" e começou a postar minhas poesias e crônicas... sabe que até que gostei? Neste meu cantinho quase não havia nada meu até agora.
Beijos, querida, e obrigada pela presença e pelo carinho. Leila

Clarice Villac disse...

Sábio poema...

Leila Míccolis disse...

Clarice, adorei saber que você concorda comigo... rs.